quarta-feira, 2 de maio de 2018

Grande e nobre é sempre viver simplesmente...

Muito já foi escrito sobre Cuba e sobre os cubanos. Linhas escritas que destilaram ódios ideológicos em igual proporção às linhas que expressaram amor eterno pela utopia e pelo admirável mundo novo.

A propaganda, de uns e de outros, lançaram Cuba nos extremos…do encanto ao desaire…da maravilha à destruição total…da abundância à fome…da felicidade à agonia silenciosa.

Contam-se histórias, umas verdadeiras e outras nem por isso, de heróis a vilões tudo tem o seu espaço. A verdade de uns sempre foi a mentira de outros e vice-versa…e também aqui, como em tudo, Cuba permaneceu e permanece ainda hoje nos extremos…o tudo e o nada.

Fujo, por opção, que apenas a mim me diz respeito, da classificação ideológica que lhe dou e do posicionamento ideológico que julgo mais adequado à realidade que tive o privilegio de conhecer.

Confirmo sem pudor que Cuba, mais concretamente Havana, está em todos os extremos que conheço.
E esses extremos tocam-se…fundem-se…de tal forma que rapidamente perdemos a noção de onde começam uns e terminam outros. Somos envolvidos num carrossel em velocidade vertiginosa…projectando sobre nós sentires e sensações em catadupa…voltas e voltas inebriantes e encantadores…contrastes de luz e cor a brotar por todos os poros citadinos…e tudo isto embalado por um povo apaixonante…humilde…honesto e que, de forma ímpar, nos verga com a força do seu acolhimento caloroso.
 
As sonoridades trespassam-nos o corpo que, sem o nosso consentimento, agita-se e tende a flutuar, mesmo que de forma desconcertada.

Não há como não nos envolvermos por um povo que luta pela sua sobrevivência, não desiste e não sucumbe. Não há como não admirar a nobreza da humildade que não descamba no processo violento e criminoso. Não é possível não ceder sentimentalmente perante as ações permanentes e concretas de cuidados e preocupações que se sentem genuínas.

Olhares que trazem ternura, olhares que nos prendem, olhares que somos obrigados a enaltecer e tantas vezes nos fazem sentir inferiores perante tamanha lição de humildade.
A pobreza existente não se esconde e não foge dos olhares estranhos. Ela existe e é assumida com honra. Ela não é justificativa para ações de agressividade, mas ela projeta a sua revolta num acolhimento gentil e quente.

Havana dá-nos muito mais que os CUCs que lá possamos deixar (mesmo que muitos o neguem)…Havana é, para quem a quer conhecer pelas entranhas…de um encanto incomparável…

Bethânia cantou Pessoa “Grande e nobre é sempre viver simplesmente”…e como se projectam os cubanos neste cantar de uma poesia superior.

Sem comentários:

Enviar um comentário